Quarta-feira, Novembro 26, 2008
Surge a primeira estrela.
O vento rege as árvores em uma canção ancestral.
Pensamentos pairam no ar e esperam a permissão da noite.
O fogo está aceso, o tempo tem sabor de verão.
Eu toco velhos discos, eu ilumino o meu silêncio.
Espero por amigos que sabem
o que vão encontrar na casa da montanha.
Relembraremos nossas histórias, a estranheza do que somos.
Tão raros; os que ficaram.
Mudou o mundo, o fim do ano é cheio de sóis diferentes.
Os rios secaram, cresce o capim nos caminhos que criamos.
O que é velho se afoga e deixa vagos sinais ao que é novo.
Nós que não mudaríamos nunca, nos debatemos em metamorfoses.
As estrelas já são milhares, eu sorrio em minha espera.
Refúgios ainda existem e ajudam a esquecer.
O fogo está aceso, o tempo crepita brilhante.
Lá embaixo na estrada, ouço motores chegando.
por meu paredro
| 10:59 AM
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Quinta-feira, Novembro 20, 2008
Não importa o quanto a gente queira, pense, goste; acaba tudo isso espatifado como um beija-flor na janela.
Sentimentos que são como livros que esquecemos de devolver, desaparecem perdidos entre as prateleiras.
Ás vezes a vida foge do controle e seria bobo querer explicar.
São poucos os que percebem que nessas coisas somos tão iguais, só trocamos de posição todo o tempo. E por causa das noites de insônia em vão, abandonamos a vontade de descobrir, o deslize no gelo fino.
Uma pena.
por meu paredro
| 3:24 PM
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Quarta-feira, Novembro 12, 2008
As crianças se reuniam nas noites de verão.
Cantavam, imaginavam; contavam as estrelas.
Erguiam seus olhos para o céu, sabiam que alguma hora iria acontecer.
Até que, numa noite estrelada, a lua brilhou de uma forma diferente
e à frente delas surgiu a entrada para a Ilha Mística,
capital do Reino dos Sonhos, onde nada é proibido
e elas podiam voar como os pássaros.
Passearam por entre as nuvens,
sobrevoaram campos de flores brancas, colinas iluminadas pelo sol.
Florestas que pareciam não ter fim e dragões que cuspiam fogo.
Perceberam os movimentos de criaturas sinistras
escondidas em suas tocas negras.
Passaram por elfos que cantavam nos galhos das árvores,
sentiram a esperteza e o riso em seus olhares.
No litoral, viram as dunas infinitas,
douradas como caramelos, ondulando com os ventos.
Chegaram a um povoado de casas coloridas por entre a areia.
As pessoas viviam à beira do mar, em seus olhos brilhava a paz.
Sob o sol da manhã as crianças desceram
e todos pararam para observar
como mergulhavam felizes no mar azul.
Pararam para descansar e tomaram sol na praia de areias brancas.
Conversaram com as pessoas e tomaram café da manhã com elas,
e as crianças riam e davam flores umas às outras.
O rei desceu de seu castelo e foi até a beira do mar
falou com as crianças como se as conhecesse há muito tempo.
Deu a cada uma um pequeno presente, e desejou sorte na jornada.
As crianças desembrulharam os presentes, pequenos sinos de prata.
Seu tilintar se espalhava no ar, flutuava pela ilha,
e voltava a seus ouvidos com a brisa da manhã.
Um cavalo branco pousou na praia e abaixou-se,
para que as crianças o montassem.
Cavalgaram então por entre vales e montanhas,
e riram muito e esqueceram seus medos.
Chegaram a um vale repleto de bosques verdes
e observaram fascinadas as árvores centenárias.
Apearam do cavalo branco, e o viram partir num galope suave.
A sua frente, um lago de águas transparentes,
pequenas ondas beijavam seus pés.
Lentamente um veleiro veio até a margem,
seu capitão convidou as crianças a embarcarem.
O capitão era um grande lagarto, calmo e gentil sob seu casaco de escamas.
Como tripulação o barco tinha quatro coelhos de grandes orelhas,
as crianças os acarinharam e ganharam sua confiança.
Navegaram por horas ao longo do grande lago
e aprenderam as canções dos marinheiros e cantaram com eles.
Aportaram em uma caverna escura, e o barco desapareceu.
Mergulhadas em trevas, tentavam enxergar entre as sombras,
até que vislumbraram o fulgor de diamantes.
Com as mão pequeninas elas protegiam os olhos do brilho intenso.
Em um vão da caverna um lorde-elfo as esperava, cheio de sabedoria.
Seus dentes eram como pérolas brancas; seus olhos, como diamantes.
Falou com as crianças com uma voz inesquecível
e as reuniu em torno dele, com um gesto convidou-as a se sentarem.
Contou histórias da Ilha Mística e de sua caverna
E deu a cada uma delas uma flauta mágica.
Ao tocarem as flautas, as crianças ouviram uma música suave
que parecia mais antiga do que o tempo;
nenhuma delas se atreveu a falar.
Num piscar de olhos, o elfo desapareceu.
Guiadas por vaga-lumes, andaram até a entrada da caverna.
E, novamente à luz do sol, pararam por um momento
e sopraram nas flautas mágicas a música de eras distantes.
O céu já mostrava as cores do entardecer,
elas sabiam que a aventura estava perto de seu final.
Voaram de volta ao povoado, e as pessoas sorriram emocionadas
ao vê-las tão felizes, com seus sinos tilintando
e todos pararam para ouvir a música de suas flautas mágicas.
Mas os olhos das crianças se encheram de lágrimas;
se aproximava a hora de partir.
As pessoas deram adeus e pediram para que elas acreditassem sempre
em tudo o que tinham visto na Ilha Mística.
As crianças prometeram que jamais esqueceriam,
e voaram para longe
através das distâncias onde o tempo não existe,
e não existirá jamais
e as crianças são sempre crianças
sorrindo e voando felizes
em seus sonhos.
por meu paredro
| 3:00 PM
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Quarta-feira, Novembro 05, 2008
Começou num dia escuro, um dia como hoje.
Desde o início algo estranho, cheio de mistérios.
Foram tantas as madrugadas, os silêncios incomodados.
Noites sem dormir, frustração e desejo.
Hoje são as imagens, distantes, inevitáveis.
Lembranças fugazes no outro lado da manhã.
Sentimentos antes eternos se afogam no dia a dia.
Momentos que vão se perdendo na obscuridade do tempo.
Todo o tempo que passou, sem termos realmente nos conhecido.
Nossos julgamentos sempre ocultos; as dúvidas, eternas.
Palavras confusas, inúteis ou inadequadas.
Entendimento mal cristalizado, tão imaturo, tão fraco.
Esta é a liberdade, poder almejar outros mundos.
Não há nada errado, tudo está como devia.
Ainda penso se você tinha razão quando me calou com um olhar.
"Só o novo interessa"; nenhum perdão, nenhuma esperança.
por meu paredro
| 1:17 PM
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Quarta-feira, Outubro 29, 2008
No quintal da minha mente velhas sombras se agitam.
O idílio acabou, as horas precisam aprender como passar.
Horas de reiniciar a andança do sem-onde,
esse debate infindável entre o que não posso e o que não me basta.
Buscar o encontro da ponta que perdi com a que ainda não tenho.
Talvez seja normal que a última coisa que queremos aconteça primeiro.
A mais importante, nunca vem.
Eu tenho uma caixa guardada na montanha
cheia de pedrinhas de tempo e sabores de domingo que provam,
sem sombra de dúvida, que nada daquilo aconteceu realmente.
O futuro espera em silêncio.
por meu paredro
| 7:40 PM
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Domingo, Outubro 26, 2008
No tempo da nossa juventude, o amor nos parecia um sentimento forte, passível de transformar a vida. O desejo sexual, inseparável dele, acompanhava-se de um espírito de aproximação, de conquista e de participação que nos colocaria acima do dia-a-dia e nos tornaria capazes de grandes coisas. Uma das mais célebres pesquisas surrealistas começava com esta pergunta:
"Que esperança coloca no amor ?"
De minha parte respondi: "Se amo, esperança total.
Se não amo, nenhuma."
Amar parecia-nos indispensável à vida, a toda ação, a todo pensamento, a toda busca. Atualmente, a acreditar no que me dizem, existe tanto amor quanto fé em Deus. Sua tendência é desaparecer - pelo menos em certos meios. Consideram-no ordinariamente um fenômeno histórico, uma ilusão cultural. Estudam-no, analisam-no - e, se possível, curam-no.
Eu protesto. Não fomos vítimas de uma ilusão.
Ainda que para alguns isso seja difícil de acreditar,
nós realmente amamos.
( Luis Buñuel, 1982. )
por meu paredro
| 1:03 AM
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Sábado, Outubro 18, 2008
De maneira que,
tão logo o meu coração parou
de latir como um cachorro raivoso,
tomei outro gole
e chamei a mim mesmo
de idiota incurável.
por meu paredro
| 10:14 PM
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Segunda-feira, Outubro 13, 2008
e então eu me apaixonei por ela
simples assim
sem mistério ou sofisticação
e simplesmente deixei escapar isto
que acontece nessa hora, que é doer
eu, paixão, ela
a reação foi péssima
entre dias confusos eu vi a mim mesmo desbotando
diante de seus olhos
diminuído
apaixonado
nunca tinha notado como simples pode dizer pequeno
bobice minha pensar que havia de ser filosófico,
que menos complicado significa mais bonito
na realidade bobo apenas
mas de alguma forma ainda éramos eu e ela
e assim vivemos todas as coisas que aconteceram depois
doendo
uma perda irreparável escondida embaixo de nossas coisas
eu dor e ela irritada
é necessário sobreviver e levei todo esse tempo me perguntando como
impossível existir isso que sou eu e apaixonado por uma impossibilidade
a solução, fabricar outra pessoa, não-simples, não-paixão
capaz de viver sem ela
é o que busco agora
triste, porque sei que vou ser pior
que a perda foi mesmo sem remédio
curiosa é a verdade que só agora sou capaz de perceber
as pessoas são assim
re-fabricadas, recicladas de si mesmas a cada derrota
cada vez piores
abstraindo maturidade experiência e palavras esparadrapos para explicar o simples menos
o menos simples
a perda necessária dentro deste processo de seguir vivendo
que eu quis negar
talvez todo mundo tenha tentado alguma vez antes de desistir
e seguir adiante.
por meu paredro
| 4:01 AM
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Segunda-feira, Outubro 06, 2008
O inverno terminou e a beleza dos dias torna a realidade estranha.
Tudo parece tão perfeito, o que está perdido pode ser encontrado.
Sombras vagueiam em silêncio....todo mundo conhece este momento.
Você vai em frente e deixa que o tempo decida.
As lembranças são leves como a brisa do verão.
Agora eu sei que nada em ti é falso,
simplesmente tão linda quanto é possível.
As distâncias entre nós, não as compreendo.
Passo meus dias tentando descobrir por quê.
Mas não adianta, todo mundo conhece este momento.
O inverno terminou e tudo é tão perfeito, todo mundo percebe.
Todo mundo, a não ser eu.
por meu paredro
| 10:27 PM
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Domingo, Setembro 28, 2008
Feche os olhos,
a noite não vai te trazer nenhum mal.
Eu não vou embora, não te deixo sozinha.
Esqueça essa montanha de palavras sem sentido,
esse oceano que tenta nos dividir.
As estrelas lá fora estão contentes por terem te encontrado.
Na tua janela, elas brilham com toda a força.
Cada um de nós tem seu próprio estoque delas
para nos confortar e guiar.
Amanhã vocâ vai se dar conta.
Descanse, eu fico ao teu lado olhando e pensando
enquanto você cai nesse sono só teu
e quando a manhã chegar com sua simplicidade luminosa
e tudo estiver bem novamente,
estarei aqui
esperando
pela volta
do teu sorriso.
por meu paredro
| 5:49 AM
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Segunda-feira, Setembro 22, 2008
O Tempo
longos fiapos coloridos
vagueando no horizonte
este grande mar aberto
que não pode ser vencido.
Lanternas flamejantes
em meio ás quais eu afundo de olhos abertos
esperando, como criança alucinada
que não se apaguem tão cedo.
Encruzilhadas
repletas desses pequenos seres
velozes, cheios de fúria
que em vez de olhos, tem conexões telefônicas
e se aproximam como amigos
atrás de objetivos insondáveis
e de repente se vão, como moscas
e submergem como pedras em um lago.
Madrugadas
povoadas por esses pequenos, ridículos sonhos
que nunca levam a lugar nenhum.
por meu paredro
| 7:24 PM
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Segunda-feira, Setembro 15, 2008
No meio da madrugada
te ouvi sussurrar em teus sonhos
" Não deixa a manhã me levar... "
Lá fora os passaros acordaram cantando diferente
como que tentando dizer a si mesmos
que nada de ruim irá acontecer.
por meu paredro
| 8:16 AM
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Segunda-feira, Setembro 08, 2008
O sol passeia imponente no céu,
ás vezes olha aqui para baixo
e parece me acusar de absurdos celestes.
"Não tenho nada a esconder", eu grito a ele.
Mas me sinto melhor oculto entre as árvores.
.
Eu ando meio do avêsso, uma cidade vazia;
os olhos cheios de fantasmas.
Certezas enferrujadas e aranhas de esperança.
Memórias rastejam imprevisíveis pelas minhas noites.
.
Novos rostos e estranhos lugares,
um vento forte, o céu tumultuoso, as dúvidas; eu e você.
Quando os dias gritam que é preciso saber
o que vai ser a partir de agora;
se nada mais é como antes, o que eu me tornei ?
.
Eu escalo a montanha dos destroços
de tudo o que já destruí nesta vida
Observo e lua cheia
e lembro de como eram as coisas.
.
Ás vezes você ganha, ás vezes perde.
Ás vezes você é a tristeza de alguém.
Sempre se pode fugir, dizer que é a vida.
Fechar os olhos, fingir surpresa.
Raiva e fuga, todo dia.
E nada é como que poderia ser, essa sensação de perda.
Mas está acontecendo, é preciso lidar com isso.
por meu paredro
| 10:54 AM
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Domingo, Agosto 31, 2008
Você suportaria a mudança de ritmo ?
Por mais difíceis que as coisas estejam,
você percebe que precisa seguir adiante?
Porque cada coisa que a gente constrói, destrói outra.
O mundo foi desenhado assim.
É normal causar alguma confusão pelo caminho;
e ás vezes parece não haver nada que te mantenha comigo
e você periga cair no mundo.
Eu sei que ás vezes te dá vontade de desfazer tudo isso.
Não se encontram caras ideais em choparias curitibanas.
Mas por enquanto, que Deus abençôe
esse teu coraçãozinho atormentado.
Eu sinto falta da tua voz, como gostaria que você estivesse aqui comigo.
Eu estou bem e acredito em tanta coisa,
mas é difícil dançar desse jeito
quando está frio e não há música.
Desaprenda aquilo que achamos que sabemos
e só faz doer.
Proteja seus olhos de tudo o que não é bom.
Porque nada é certo, mas você tem que seguir adiante.
Você sabe que pode pegar minha mão, eu estarei contigo.
Mas agora, é você quem precisa seguir adiante.
por meu paredro
| 9:09 AM
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Terça-feira, Agosto 26, 2008
Castigar os olhos fitando isso que anda no céu
e aceita astuciosamente seu nome de nuvem,
sua resposta catalogada na memória.
Não pense que o telefone vai lhe dar os números
que procura. Por que haveria de dá-los ?
Virá somente o que você tem preparado e resolvido,
o triste reflexo de sua esperança,
esse macaco que se coça em cima de uma mesa
e treme de frio.
Quebre a cabeça desse macaco,
corra do centro em direção á parede e abra caminho.
Oh, como cantam no andar de cima !
Há um andar de cima nesta casa, com outras pessoas.
Há um andar de cima com pessoas que não percebem
seu andar de baixo, e estamos todos dentro do tijolo de cristal.
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Como los juegos al llanto
Como la sombra a la columna
El perfume dibuja el jasmin
El amante precede el amor
Como la caricia & la mano,
el amor sobrevive el amante
Pero inevitablemente
aunque no haya huella
ni pressagio
Julio Florencio Cortázar
por meu paredro
| 6:44 PM
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