Terça-feira, Agosto 29, 2006
Aos poucos aprendo a suportar os golpes.
Os olhares de acusação não me ferem mais.
Esquecido nas profundezas,
procuro a saída entre os velhos corredores.
O passado me fortalece, basta uma simples lembrança.
Todo dia enfrento o desafio da sobrevivência.
As direções não são precisas, meu caminho é escuro.
Seria fácil envergar a lâmina, dar fim à angústia;
mudaria alguma coisa ?
Mas é preciso ter fé.
Reunir a força para carregar este meu fardo.
Reverter o destino, deixar o poder surgir.
Tudo o que preciso é de um pouco mais de tempo.
por meu paredro
| 12:18 AM
|
|
W:
Sexta-feira, Agosto 25, 2006

Encolhem-se as colinas sob o peso do inverno
Amarelas, brancas, marrons.
Sobrevivendo em seu ciclo de mudanças.
Eu não sei explicar o que estou fazendo,
fico indo e voltando como um imbecil.
Você veio comigo até aqui e sabe como me sinto.
Não somos mais os mesmos, a vida está mudando
e não percebemos porque não queremos parar para pensar.
Ás vezes eu quase percebo,
chego perto de entender e sei que não tem volta.
Já não temos o que sonhar, somos reais demais.
Tanta coisa passou, caímos na rotina e tudo foi sumindo no caminho.
Você seria capaz de me dizer que continua querendo aquilo tudo ?
Você ainda é capaz de ver as coisas daquela forma ?
Eu fico relembrando imagens do passado,
visões de sombras que brilhavam.
Quando quis voltar, descobri que tudo aquilo
se perdeu nas correntes da mudança.
É cruel, de que valem sonhos usados ?
O tempo corre lancinante e não posso mais, não sei o que dizer.
Por isso, sente-se a meu lado mais esta vez
e compartilhe comigo a beleza do que pudemos ser.
Nossas respirações vagueiam no ar gelado da noite,
desenhando signos de mudança.
por meu paredro
| 10:23 AM
|
|
W:
Quarta-feira, Agosto 23, 2006

Se não há realização, não haverá propósito ou vantagem em trocar a vida imaginativa pela existência puramente aventurosa da realidade. Todo aquele que se eleva acima das atividades da rotina diária o faz não só na esperança de ampliar seu campo de experiência ou ainda de enriquecê-lo, mas também de apressá-lo. Apenas nesse sentido consegue a luta ter algum significado. Aceite-se esta tese e a distinção entre sucesso e fracasso é nula. E é isso o que todo artista aprende em sua trajetória: que o processo em que se envolveu tem a ver com uma outra dimensão da vida, que ao se identificar com esse processo ele aumenta a vida. Nesta visão das coisas ele se acha permanentemente afastado - e protegido - daquela morte insidiosa que parece triunfar em torno de si. Adivinha que o grande segredo nunca será apreendido, mas incorporado em sua própria substância.
Henry Miller no All Acaso.
por meu paredro
| 7:21 PM
|
|
W:
Segunda-feira, Agosto 21, 2006
Seus olhos são fagulhas na penumbra do quarto.
A realidade se dissolve; tudo o que quero no mundo está aqui.
Ela, só ela, sua voz tão provocante.
Frágil, mas capaz de destruir qualquer couraça.
Nossos pecados são deliciosamente clássicos.
O sabor do arrepio, eu nunca sei onde estou indo.
Na velocidade do instante, não existe qualquer certeza.
Tudo pode desaparecer a qualquer momento.
Fagulhas de desespero, quem sabe o último mergulho.
Abismo lancinante na penumbra do quarto.
Eu fecho meus olhos e nada será como antes.
Publicado no Aquele, Ed. 18
por meu paredro
| 1:30 PM
|
|
W:
Quarta-feira, Agosto 16, 2006

Eu sou um cara que gosta de falar de dunas e florestas, e um monte de coisas que podem parecer até irreais. Estou sempre viajando por aí, carregando na mochila meus sonhos e projetos. Nada assim extraordinário, mas gosto da minha vida prá caramba. Sou apegado ás minhas músicas, meus livros. Muitas vezes os autores conversam comigo como bons amigos. De que outra forma poderia ser ? Ainda é tempo de girar, aprender, procurar a imagem certa. Dentro do meu coração tem uma casa que espero ser capaz de abrigar quase todos vocês. Eu conheci uma menina; ela é perfeita, fascinante. Ela é uma cidade, mas ainda tão longe da minha forma de existir. Eu queria que tudo fosse diferente, mas não sei bem como fazer. Tudo o que quero agora é encontrar a imagem certa no caleidoscópio.
por meu paredro
| 6:41 PM
|
|
W:
Segunda-feira, Agosto 14, 2006
"A maioria silenciosa não liga pra nada, desde que à noite ronrone em suas pantufas... A maioria silenciosa, não se engane, se fecha sua boca é porque ao final das contas ela faz a lei. O que ela reivindica é ser paternalizada e tranqüilizada, além da sua pequena dose inofensiva de imaginário cotidiano"
BAUDRILLARD, Jean - À Sombra das Maiorias Silenciosas.
por meu paredro
| 11:36 PM
|
|
W:
Quinta-feira, Agosto 10, 2006
Tão bom acordar com ela, as horas do dia ganham as formas de seu corpo. Ela me diz para levantar, parar de fingir sono. Eu roubo mais um pouquinho de seu tempo, eu respiro seus cabelos. Pensando coisas bobas, querendo morrer entre suas pernas.
Ela ganha esse lugar na minha vida a cada noite que passa e sua pele brilha sob as estrelas da janela e eu me sinto mais perto de algo importante. Ela é isso, esta pequena verdade de olhos brilhantes.
Eu não preciso olhar nos seus olhos ou ver seu rosto para saber quando ela está sorrindo. Não preciso ouvir nem saber o que está acontecendo. Eu posso sentir as partículas subatômicas se juntando e formando esse sorriso. Cada molécula sorri junto com ela quando ela está feliz.
por meu paredro
| 11:53 AM
|
|
W:
Segunda-feira, Agosto 07, 2006
Venha e veja por ti mesma.
Olhe nos meus olhos e perceba, nada está bem.
Toque o meu rosto, sinta as sombras em volta de mim.
Não reprove o meu silêncio, por uma vez só tente compreender.
Pode vir, tua presença é sempre uma luz nesta casa.
Mas deixa tuas teorias lá fora, tá ?
Tua sabedoria não serve aqui, é de amor que eu estou falando.
Deixe a tristeza cruzar teu dia, sinta um pouco comigo.
A porta está aberta, eu não tenho nada a esconder.
Não se preocupe com as aparências, é de amor que
eu estou falando.
Só procure não relativizar, eu não quero tuas análises psicológicas.
Prenda a respiração por uns instantes e pronto, acabou.
Obrigado por ter vindo me ver.
Publicado no Aquele, Ed 17
por meu paredro
| 8:10 PM
|
|
W:
Sexta-feira, Agosto 04, 2006
Nós sorrimos e sorrimos
Ecos de risadas em nossos olhos
Nós andamos e andamos
Pegadas suaves nas colinas
Nós choramos e choramos
Gotas de tristeza em um poço
Nós vivemos e vivemos
Uma estrada de pedras até o amanhã.
por meu paredro
| 11:55 AM
|
|
W:
Terça-feira, Agosto 01, 2006
Meus dias, eu tentava encontrar uma forma.
Alguma palavra que pudesse dizer, um momento certo.
Para trazê-la de volta ao tínhamos construído, os nossos sonhos.
Mas não conseguia chegar até ela.
Só podia olhar dentro de seus olhos e não fugir,
não demonstrar o meu medo.
As palavras não adiantavam, nada adiantou.
Eu estava confuso, sabia que não havia saída.
Ela tinha o meu amor, mas precisava de algo mais.
E eu ali tentando, não sabendo transmitir coisa alguma
a não ser esse sentimento que não era capaz de esconder,
corroendo minha mente.
Eu não podia acreditar que não pudesse
fazer nada.
A verdade é que eu sabia.
Nenhuma solução, não daria mais certo.
Eu pensava em aceitar e seguir adiante.
Esquecer.
Mas impossível.
O amor.
Eu não podia aceitar, queria um motivo.
Temia colaborar na perda.
E tudo isso me atropelava, me deixava sem forças.
E sem nada a dizer.
E o que poderia ser dito, ambos sabíamos.
Eu precisava sair daquele desespero, respirar novamente.
Mas o amor era muito forte e me machucava.
Eu não entendia como, não sabia controlar.
Meu mundo, ela estava levando tudo embora.
Ela disse que buscava libertação
do que sentia de ruim em todas as coisas.
Eu não podia, eu não sabia entender algo assim,
o absurdo me afogava.
Sentimentos em carne-viva, não podiam ser aplacados.
Foi assim, tão longo e tão triste.
E ainda hoje me atropelam estas noites
em que vejo aqueles olhos em cada sombra
sempre refletindo
a linguagem a lua a pele
o tempo
a vontade
e sei que não a terei nunca mais
mas lembrarei de tudo
até o fim.
por meu paredro
| 11:02 PM
|
|
W:
Surge a primeira estrela.
O vento rege as árvores em seu hino ancestral.
Pensamentos pairam no ar e esperam a permissão da noite.
O fogo está aceso, o tempo tem sabor de inverno.
Eu toco velhos discos, eu ilumino o meu silêncio.
Espero por amigos que sabem
o que vão encontrar na casa da montanha.
Relembraremos nossas histórias, a estranheza do que somos.
Tão poucos, tão diferentes; os que ficaram.
Mudou o mundo, o inverno é cheio de sóis traiçoeiros.
Os rios secaram, cresce o capim nos caminhos que criamos.
O que é velho se afoga e deixa vagos sinais ao que é novo.
Nós que não mudaríamos nunca, nos debatemos em metamorfoses.
As estrelas já são milhares, eu sorrio em minha espera.
Refúgios ainda existem e ajudam a perdoar e esquecer.
O fogo está aceso, o tempo crepita brilhante.
Lá embaixo na estrada, ouço motores chegando.
por meu paredro
| 9:45 PM
|
|
W: