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Terça-feira, Setembro 26, 2006




Eu vou sentindo cada vez menos e lembrando cada vez mais.
Mas o que são as lembranças, senão o idioma dos sentimentos ?
Uma enciclopédia de rostos e vozes e imagens que voltam como as
cores em uma quadro, adiantando-se disfarçados ao quadro em si,
ao presente propriamente dito, levando-nos à melancolia ou
ensinando-nos com carinho até que o próprio ser se torna criança
novamente, o rosto que olha para trás abre muito os olhos,
o verdadeiro rosto se mancha pouco a pouco
como nas velhas fotografias..



por meu paredro | 4:40 PM |
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Sábado, Setembro 23, 2006




É isso aí, mais um cara sozinho
em outra cidade fria.
E não sou nenhum menino, não me custa admitir que dói.
Não estou velho demais para chorar quando uma mulher me deixa mal
e vai embora.
Então é assim, mais uma garrafa vazia.
Mais uma vez a maldita cama vazia.
E não sou esperto demais para errar.
Mentir, deixar tudo ainda pior.
Não vou negar, estou desperdiçando esta minha vida.
Mas eu sei o que vou fazer.
Vou sair fora.
Buscar meu futuro em outro canto do mundo.
Qualquer dia desses, vou mudar tudo isso.
Até lá, eu fico errando por essas ruas
e quebro outra promessa.
E faço outra besteira, quebro a cara de novo.
E não sou novo demais para entender
que sempre posso tentar,
tentar voltar ao começo quando tudo dá errado.
Mas ainda assim, é outro pesadelo que se repete,
outra lágrima engasgada.
E não deixo de me preocupar com o que é tão claro,
não sou jovem demais para morrer.
Mas não vai ser tão fácil me derrubar.
O problema é ser assim errado, o que eu posso fazer ?
Ah, eu vou dar o fora.
Comprar uma passagem só de ida.
Pegar mais uma vez a estrada; algum rumo diferente.
Eu vou mudar esses caminhos.
Um dia desses, eu vou.




por meu paredro | 1:37 AM |
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Terça-feira, Setembro 19, 2006




Às vezes eu não sei o que dizer
e escondo minha cara.
Mostro ao mundo
um canteiro de girassóis.
(que giram mesmo à noite)
Palavras circulares,
infinitos colaterais.
Caminhos gastos
como todas essas coisas erradas
que dizemos de novo e de novo
sem perceber.


Parceria com Mestre Rabuja.




por meu paredro | 12:00 AM |
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Sexta-feira, Setembro 15, 2006




Quando dá errado e nada mais parece importante, quando me sinto empapado de tempo, ôco de qualquer coisa que não seja essa febril anestesia existencial; precisando dela como que de uma fuga da realidade, uma estricnina magnânima que me permite voar por sobre a tempestade por algumas horas, longe de tudo o que anda acontecendo mas de cara para este céu ao qual não sou capaz de renunciar, esse momento triste da existência, tão trágico para milhões de pessoas pelo mundo como não páram de repetir os noticiários.



por meu paredro | 11:04 AM |
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Segunda-feira, Setembro 11, 2006




Ás vezes você sente que algo acontece comigo, ou melhor, que algo deixa de acontecer comigo. Distante, vazio, completamente sozinho. Você confunde isso com tristeza. Eu sei que não devia deixar isto escapar quando estou contigo, mas entenda, é uma coisa boa. Esse lado-criança que não entende direito o que está acontecendo com as coisas, mas imagina facilmente uma música que acompanhe, e canta baixinho e não liga a mínima para a confusão que as pessoas estão fazendo. Um rio de imagens e lembranças que não acaba nunca porque flui com um movimento tranquilo que quase não tem relação com essa minha vida de funcionário dedicado com relatórios semanais que indicam o desenvolvimento da nossa planta operacional. Esse lado que é uma coisa preciosa que não é exatamente minha, mas que ao mesmo tempo é preciso cuidar; a tartaruguinha que deixam com a gente enquanto os donos viajam, o cacto que regaremos uma vez por semana e por favor não jogue mais do que meia jarrinha de água, senão o coitado morre.



por meu paredro | 3:26 PM |
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Terça-feira, Setembro 05, 2006



Winter winter winter,
are you but a server of the bad one ?

( Marc Bolan )


por meu paredro | 11:46 PM |
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Sábado, Setembro 02, 2006




Sou habitado por tudo o que admiro
Preciso dos meus fantasmas
Dependo dos meus sonhos
Preservo as minhas trilhas
Leio as leituras que me lêem
Mergulho no abismo
Conheço o espelho
Mas não me atenho a combinar
e a separar as coisas diferentes
alheio ao que se passa dentro de mim
Percebo coisas
Sigo modificado por minhas mudanças
Transforma-se o admirador na coisa admirada
De forma que não sei de onde vim
e nem para onde vou.




por meu paredro | 10:57 AM |
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