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Segunda-feira, Outubro 30, 2006




Dê-me sua mão,
faremos o que você quiser esta noite.
Está chegando o verão,
nós ficamos tão bem sob as estrelas.
Estar com você,
não sentir o tempo passar.
Ainda que eu não entenda,
ver teus olhos brilhando vai ser suficiente.




por meu paredro | 9:31 AM |
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Quarta-feira, Outubro 25, 2006




Andei perdendo o meu tempo tentando entender o que você é, o que está pensando. De onde pode ter vindo essa arrogância. Besteira, eu demorei a perceber que já não é hora de entender coisa alguma. Quem vai saber o que se passa nessa sua cabeça ? O importante eu aprendi: não é nada de bom. É um sinal triste dos tempos quando nos acostumamos a encontrar gente assim, que olha nos dentes, não nos olhos. Maquinando, querendo enfiar nossas almas de volta por nossas gargantas. Sabe, eu aprendi a não engolir. Eu sei o que me atinge e veja como é simples, se você me odeia é porque eu quis assim.



por meu paredro | 9:12 AM |
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Sexta-feira, Outubro 20, 2006




Faz muito tempo, mas me lembro bem.
Eu passava por cima das coisas como um trator,
corria prá todos os lados e me agitava e tentava ser
mais alucinado que a vida. Achava que assim poderia vencê-la.
Cada dia era uma guerra, eu voltava para casa empoeirado do mundo.
E ela estava sempre ali andando ao meu lado.
Eu lembro da expressão triste que ela tinha no rosto
quando caía finalmente no sono.
Não havia nada que eu pudesse fazer quanto a isso.
E ela era tão linda que mesmo hoje acho difícil descrevê-la.
Foram-se os anos, e em matéria de verdade, ela foi a primeira.
Estranho como na lembrança o que não dói acaba sendo bonito.
Ainda que meio descolorido, que nem foto antiga.



por meu paredro | 9:42 AM |
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Segunda-feira, Outubro 16, 2006




Quem sabe, ao abrir velhas feridas aqui nesses escritos, eu feche outras, as chagas de outra pessoa ou outro momento no tempo. Algo morre, algo refloresce. Sofrer sem saber é muito dolorido. Sofrer deliberadamente a fim de compreender a natureza do sofrimento e aboli-lo para sempre, é outra questão bem diferente. Não existe essa tremenda necessidade de sofrer. Mas tempos de sofrer antes de sermos capazes de compreender que isto é assim mesmo. Somente então o significado do sofrimento fica claro. No último momento desesperado - quando já não há mais o que doer, parecemos secos ! - então algo acontece, algo que parece um milagre. A ferida se fecha, o organismo floresce. Estamos livres afinal, e não com saudades do "paraíso perdido", mas com a ânsia de mais liberdade, de mais felicidade. A nave da vida é mantida em movimento não por meio de lágrimas, mas do conhecimento de que a liberdade existe e é possível.


por meu paredro | 3:39 PM |
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Terça-feira, Outubro 10, 2006




Uma tarde no tempo, aquela hora amarela de todas as coisas.
Velhas árvores cobrindo o horizonte,
eu andava pela floresta procurando pinhões.
Foi quando a vi, ela deslizava entre os raios do sol.
Veio até mim e pude olhar em seus olhos.
Os maiores, os mais verdadeiros.
Eu a chamei minha princesa do entardecer.

Ela me pegou pela mão e mostrou outra dimensão do mundo.
A floresta, as montanhas de minha infância...tudo estava encantado.
Ela movia sua boca mas não saía som algum.
O que tinha a me dizer, eu nunca soube.
Em um instante ela tinha partido, não havia mais sinal de sua presença.
De onde ela veio e para onde foi, quem poderá saber ?
Ela voltará algum dia para me mostrar ?
Eu só sei que ela é a minha princesa do entardecer.

Ás vezes eu volto à floresta e sigo de novo o velho caminho,
procurando alguma imagem da minha lembrança mais preciosa.
Eu a chamo ainda, a minha princesa do entardecer.



por meu paredro | 2:11 PM |
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Sexta-feira, Outubro 06, 2006




Se você pudesse olhar dentro da minha cabeça,
que estória os meus pensamentos diriam.
Como num filme p&b, o fantasma de uma paixão.
No castelo de pedras carcomidas, eu me arrasto
com correntes em meus tornozelos.
Você sabe que este fantasma sou eu.

Se eu pudesse ver dentro da tua cabeça, o que descobriria ?
Quem sabe uma novela de jornais amarelados
que embrulham louças velhas no porão.
Quando chegasse a parte em que corações são partidos,
ficaria claro que o herói está condenado.
Você sabe com os heróis frequentemente fracassam.

Pobres personagens destas estórias
que tentamos fingir que poderemos mudar assim que quisermos.

Mas, por agora, vamos cair na real.
Eu nunca pensei que pudesse acabar dessa forma.
E não sei o que dizer, não percebo o motivo.
O sentimento acabou
e eu não consigo trazê-lo de volta.



por meu paredro | 10:11 AM |
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Domingo, Outubro 01, 2006




Não faz muito tempo, eu tive um sonho. Eu estava numa floresta enorme, cheia de animais. E os animais pareciam sorrir, estavam apaixonados assim como eu e você. Eles brilhavam e se exibiam em seus amarelos, verdes e vermelhos. Eu andava e andava pelas veredas da floresta e então vi você, linda; sempre tão linda. Passeamos de mãos dadas e os animais nos olhavam interessados. Percebemos que brilhávamos como eles, e ficamos felizes também.

Num pequeno vale entre as árvores, encontramos uma toca muito escura. O animal que vivia nela não queria sair e passear conosco. Curiosos, paramos e esperamos à entrada da toca até ele aparecer. Era um puma pardo, solene e silencioso. Nós o chamamos para fora, ele veio de má-vontade. Pedimos que nos contasse sua história, mas ele estava cheio de vergonha. Achava que faríamos piadas com sua timidez.

Então nós o levamos à montanha ensolarada e o deixamos ganhar todos os jogos. Brincamos até o sol começar a mudar, tingindo de dourado a floresta. Ele estava muito mais contente, e o amávamos também. Mas a noite se aproximava e os olhos do puma se encheram de lágrimas, ele ficou triste porque tínhamos que partir. Dissemos a ele para agir com bravura, e nunca se sentir menosprezado. Ele era o animal mais bonito que já havíamos visto. Dissemos para ser ele mesmo, e jamais querer mudar. Ser o que se é, é lindo. Ser qualquer outra coisa é estranho.

O puma pardo pareceu entender e nos fitou longamente com seus olhos brilhantes. Então ele desapareceu, assim como a floresta mágica. E quando abri meus olhos não havia mais nada, a não ser você.



por meu paredro | 1:23 PM |
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