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Quinta-feira, Novembro 30, 2006




Você não sabe, mas está constantemente me levando pela mão
de volta ao lugar onde parei de existir.
E eu me animo a trabalhar um universo de problemas,
fundindo galáxias, escoando velhos buracos tristes.
Encontrando a trilha de algo perdido há tanto tempo.
Ainda dói, tudo ainda é estranho.
Mas eu já não sangro á tôa e agora lembro que tenho olhos para ver as coisas.



por meu paredro | 12:19 PM |
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Domingo, Novembro 26, 2006




Seus olhos eram os olhos de uma menina,
procurando pela beleza das coisas naqueles dias escuros.
Olhos que ardiam de vontade de viver,
recusando todo ódio e crueldade.
Ela chorava lágrimas de menina,
relâmpagos de dor entre os travesseiros.
Rios de luz e medo, eu tentava nadar entre as ondas.
E ela via, sentia o mundo com o jeito de uma menina.
Ela era a beleza daqueles dias escuros.
Eu amei seus olhos, suas lágrimas.
Cada minuto que passei a seu lado
foi o sonho de mil noites do meu tempo.



por meu paredro | 1:32 AM |
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Terça-feira, Novembro 21, 2006




Aos poucos fui conhecendo o que pode ser a angústia. Ácido, bolor, o gosto do fracasso na boca. Uma pedra. O coração afundando em silêncio. Pressão constante na testa e na nuca. Começa como algo sutil, sem maior importância. Mas permanece. Recusa-se a ir embora. Vai aumentando, forçando a passagem com uma forma sombria e inumana, algo que escapou de algum abismo dentro de nós onde costumava se refugiar. E vai subindo, se espalhando sem parar, uma presença autoritária que debilita todas as resistências. Logo assume o comando. E parece melhor baixar a cabeça, baixar os olhos, entregar os pontos. Melhor se entregar logo no começo e dizer aquela coisa feia, riscar aquele fósforo, comer tudo o que tem na geladeira, discar para aquele número de telefone, procurar novamente a gaveta ou o arquivo proibidos para rever as coisas que não deveria nem saber que estão lá. Ir direto na direção em que sua angústia o arrasta, fazendo a coisa mais insensata, que não deseja fazer, que sabe desde sempre que o deixará deprimido e desmoralizado. Seguir em frente como um prisioneiro de guerra, exausto, assumindo a própria melancolia. A angústia, velho trem-fantasma obrigatório. Mais velha do que nós e infinitamente orgulhosa. Como uma dor amarela, um vento frio, um paralelepípedo na garganta.



por meu paredro | 1:26 PM |
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Sexta-feira, Novembro 17, 2006




Olha nos meus olhos, está tudo bem.
Eu não preciso saber onde você esteve.
Não importa o que aconteceu, ainda somos eu e você.
Não existem palavras, eu sei.
Você não precisa caçá-las.
Eu tornei isto assim difícil
posso fazer melhorar.



por meu paredro | 12:59 PM |
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Segunda-feira, Novembro 13, 2006




Ela disse que numa noite como esta,
não seria nada mal se eu a beijasse.
E ela disse que, apenas por um mais um sorriso,
ela consentiria em estar comigo por todo aquele longo momento.

Ela disse
que se você procura por apenas um momento divertido,
olha, isso não tem nada a ver comigo.
Momentos divertidos são perda de tempo.
No final, servem só para que a noite acabe logo.
Ah, ela disse.

E eu, por quê,
porque eu sou tão tímido ?
As melhores coisas que acontecem, parecem que só servem para me deixar triste.
Porque eu sou tão tímido ?
A primeira vez que te vi, estava pensando na vida e olhando para o horizonte
até que wow, essa menina tem uns olhos lindos.
Os olhos mais lindos.
E agora que você está perto de mim, me sinto tão nervoso,
ah me explica porque eu tenho que ser tão tímido.

Ela disse, você deve ser algum tipo de bobo.
Para estar assim quieto no meio de toda essa música.
E ela disse, você é um cara bem engraçado,
com esse jeito de quem sempre procura por algo no horizonte.

Ela disse.


Adapt. The Velvet Underground, Live 1969.




por meu paredro | 2:05 PM |
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Quinta-feira, Novembro 09, 2006




Saí pela noite procurando uma mente pura.
Um rosto iluminado, um rastro fugaz de esperança.
Mas por toda parte, células zumbis.
Proliferando num ecossistema alucinado.
Parasitas kamikazes.
Deixando como esporos pensamentos envenenados.
Não podem ser presas ou detidas.
Infinitas mariposas cancerígenas.
Alimentam-se de almas e dominam a cidade,
espalhando toxinas hereditárias.
Invencíveis exércitos de células zumbis.

Eu saí rastreando pela noite em busca da cura
para algo que já sinto em meu estômago.
avançando pouco a pouco
enquanto respiro.


w. soares e g.brandão




por meu paredro | 10:55 AM |
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Sábado, Novembro 04, 2006




Trilhar caminhos de um outro mundo sempre me deixa anestesiado. Quando termina um dia de novidades, tudo é perfeito por algumas horas e ás vezes não consigo evitar estes pensamentos, como seria se as coisas pudessem convergir; se me fosse pedido aquilo que posso dar e me dado aquilo de que preciso. Se o que eu tenho e o que você tem pudesse ser aquilo que somos capazes de dividir.
Eu sei que já não existem guerras, apenas essas dúvidas paradas no ar.
A inquietação do que ainda não vivi, o calor de tudo o que tenho agora.
Você, a quem não sei renunciar.
Ah, as incertezas do sentimento.
Dói, mas arrependimento nunca foi uma opção.



por meu paredro | 8:23 PM |
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