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Quarta-feira, Dezembro 27, 2006




Esses dias,
eu já não me espanto
com a forma como o mundo me envolve cada vez que saio para as montanhas,
e com a melodia infantil, meio mágica,
que o vento me sopra nos ouvidos quando ando pelas estradas de madrugada.
As coisas hoje são assim.
E quase toda noite, eu conto as estrelas
e sempre encontro o mesmo número delas;
e quando as estrelas não aparecem para serem contadas,
eu conto os buracos onde elas deveriam estar.
E o que fico pensando é que não deve existir nada mais inútil que pensar na pessoa que se ama.
Pensamentos assim são como aqueles velhos sambinhas onde acontece uma porção de coisas
mas o refrão vai se repetindo sempre, mesmo onde ele não combina.




por meu paredro | 10:09 AM |
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Quarta-feira, Dezembro 20, 2006




Há um lugar entre as dunas, bem longe daqui.
Onde o horizonte tem curvas douradas de caramelo.
É lá que nascem essas areias que viajam pelo mundo,
mais antigas que números e horas e letras de fôrma.
Uma vez eu fui capaz de queimar meus problemas ao sol,
cristalizando desejos á beira do mar.
Fora do gancho, longe da roda.
Um sabor ligeiro de liberdade.
Mas não era o momento, eu voltei para a cidade
atrás das promessas que teriam que ser.
Sem saber ainda o segredo
de ser um vento,
ser um sambaqui.
Desde então meus olhos não evitam se perder na distância
e eu tropeço nas calçadas deste tabuleiro onde alugo o meu tempo.
Aprendendo, planejando os caminhos que levam ao sol
e o silêncio de uma lembrança azul
que está lá e faz parte de tudo
o que ainda será.



por meu paredro | 11:54 AM |
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Sábado, Dezembro 16, 2006




Ela sempre soube o que iria acontecer
quando tive de viver sem ela.
Faltava uma parte de mim, e isso doía demais.
Eu ainda me pergunto se aquilo fez algum sentido
ou se foi apenas uma experiência de fazer doer,
ver o que eu me tornaria.
Eu me tornei um cara sem esperança.
Ela sabe como é, compreende a ironia.
A noite em que, nesse mesmo banco, eu larguei as gentilezas
e gritei o quanto a amava.
Ei, garçom, deixe-me contar daquela noite: eu já sabia.
Eu não tinha esperanças.
Eu hoje vou mais longe em tudo o que faço.
Tudo acontece mais rápido, preciso esquecer essa parte que me falta
e ainda dói.
Eu já não acredito nesse tipo de vitória.
Eu sou um cara sem esperança.



por meu paredro | 11:01 AM |
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Domingo, Dezembro 10, 2006




Pensamentos amarelos, amarelecidos.
Palavras de um tempo em que todo amor engatinhava, elas corriam para fora dos meus dedos.
Eu já não posso escrevê-las, meus dedos são inúteis.
Amores que são noites sem dormir, dias sem comer.
Retorcimentos intratáveis.
Mas ainda podemos dizer que tentamos.
Os amores errados, amores aventuras, esportes radicais.
Distâncias, borboletas azuis e tardes de domingo.
Essa mania de se perder por aí.
E um sol no horizonte, porque a vontade.




por meu paredro | 10:48 AM |
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Terça-feira, Dezembro 05, 2006




Tão longe de lugar nenhum.
Finalmente alguns dos meus dias, e eu vou chegar lá.
Escolher as perguntas há de ser a verdadeira liberdade.
Escolher a escôlha, na presença de todas as minhas batalhas.
E quando eu estiver lá, a dor vai ser minha e espero saber afinal.
Abrir uma garrafa e brindar a você; esperança e impossível.
Não há ninguém me esperando, é assim que tem de ser.
Tão longe de lugar nenhum.
Um sonho antigo, e o vento nas casuarinas.



por meu paredro | 2:15 PM |
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Segunda-feira, Dezembro 04, 2006




Pero yo sé guardar y usar lo triste y lo barato
en el mismo bolsillo donde llevo esta vida
que ilustrará las biografías.


De Ultimo Round





por meu paredro | 11:41 AM |
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