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Quarta-feira, Março 28, 2007




Quem foi que nos cobriu com essa cortina de tempo ?

Aqui venta muito, e eu fico pensando sozinho.

À tarde o vento leva embora os longos fios de areia;
vão se perder no mar, é como se as dunas sangrassem.

Um sangue caramelo de silêncio.

A casinha das dunas,
barco amarrotado cruzando a madrugada.

Palavras não combinam com tanta areia.

Ás vezes dá vontade de parar.



por meu paredro | 11:54 AM |
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Quinta-feira, Março 22, 2007




De todas essas viagens, o que vou lembrar mais é dos rostos de vocês; rostos tão conhecidos que em um ou outro instante,
eu pude ver como são de verdade
e tive certeza
e gostei tanto.
Claro que logo voltaram à expressão normal, aquela que eu me acostumei a ver em vocês.



por meu paredro | 2:14 PM |
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Quinta-feira, Março 15, 2007




Ah estar vivo na manhã de primavera.
As margens do rio, descalço, calças enroladas.
Levando na mão minhas velhas botas.
Flocos de sol dissolvem as últimas teias de gelo.
Sussurros e ressonâncias naturais,
pedras que seguem caminhos tortuosos feito vidas.
O ar gelado libertando coisas em meus pensamentos.
A música das águas, a música do corpo.
O cheiro do sol nos barrancos.
Eu juro fidelidade a tudo isso.

Eu juro fidelidade ao Reino da Montanha
e ás formas de vida que o compõe.
O ecossistema, a diversidade,
o pequeno universo sob o sol
onde cada elemento convive em harmonia.



Versão montanhesa para Gary Snyder



por meu paredro | 11:50 AM |
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Sábado, Março 10, 2007




Minha pequena, não seja assim.
Perceba o tamanho do que conquistamos.
Não existem metáforas ou idéias ou imagens
que possam ensinar a eles o que
sabemos agora.
Eles têm os olhos frios, suas mãos são velhas.
Seus corpos não querem mais nada,
a não ser o de sempre.
O sol é velho demais
para tirar o mofo de todas essas vidas.
A noite é enorme.




por meu paredro | 11:05 AM |
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Domingo, Março 04, 2007




E então eu percebi que meus passos falhavam
tropeçando no vazio
abaixo das necessidades mais mesquinhas da rotina
simplesmente irrelevantes.
Ainda gritei, tentei correr
percorri ruas esburacadas, procurei por sinais
que indicassem a sombra de alguma direção.
E a noite se recusou a revelar
Qualquer coisa que eu já não conhecesse
desse cenário envelhecido
de esquinas e calçadas que ainda amo
mas já não sei se devo
acreditar.



por meu paredro | 11:43 AM |
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