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Terça-feira, Junho 26, 2007




Voam lembranças por todos os lados; não consigo mantê-las quietas.
Elas não se comportam, não são o que eu queria que fossem.
E se eu pudesse encontrar as palavras para explicar o que sinto,
eu gritaria bem alto.
Se eu pudesse tornar inteligível o que acontece aqui dentro,
eu gritaria bem alto.
Mas parece que não são tempos de se escutar nada.
Então este silêncio acaba sendo melhor que ficar me esgoelando.
E então este silêncio é ainda uma forma de esperança.
Eu faço um pouco de café, me apronto para sair.
Mais uma vez igual, mas é assim que tem de ser.
Eu só estou cansado, só preciso relaxar um pouco.



por meu paredro | 7:08 PM |
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Quinta-feira, Junho 21, 2007




O ar vazio do inverno.
As ruas pesadas, o desconforto em todas as coisas.
Em casa o gorgolejar da família vivendo sua rotina, as cretinices na TV.
Os cheiros da cozinha e o ritmo do sistema.
Os símbolos da autoridade, esses calhamaços de leis e regras
que me atingiam na cara toda manhã ao chegar na escola.
Por que só eu ?
O que eu tenho de errado ?
Os heróis e os ninguéns, o primeiro amor da minha vida.
Quando beijar, quando deixar quieto, como se manter fora da confusão.
Eu nunca fui bom nisso.
Eu estava arrepiado a maior parte do tempo.
Não sabia se era medo, doença, aversão.
Eu nunca superei nada disso.
Eu apenas me acostumei.



por meu paredro | 12:51 AM |
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Sexta-feira, Junho 15, 2007




No alto da montanha eu me sinto no topo do mundo.
Incomensuravelmente sozinho.
Incapaz de respirar, espreitando por entre as nuvens.
Pensando se a vida lá embaixo ainda vai ser a mesma.

No alto de uma tarde perfeita eu vejo o sol se pôr em seus olhos.
O instante em que nos desgrudamos parece a senha
para que algo saia de controle.
Eu não quero pensar, não quero que o dia termine.
A nossa história não tem sobrenome
nem registro geral.
Apenas vai acontecendo
e nunca sabemos dizer se importa
que importe tanto.




por meu paredro | 7:18 AM |
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Segunda-feira, Junho 11, 2007




Um daqueles dias em que o céu dói nos olhos da gente.
A luz passava em ondas através do vestido que ela usava.
Ela flutuava: etérea, lancinante.
Uma imagem com sabor de ameixas e vinho seco.
Tão fugaz que minha lembrança se perdeu no tempo
fundindo em silêncio alegria e maldição.



por meu paredro | 1:03 PM |
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Domingo, Junho 10, 2007




por meu paredro | 1:23 AM |
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Sábado, Junho 02, 2007








Ah quando tínhamos a noite.
Inteira, toda nossa, salpicada de vagalumes.
Cada minuto era um embrulho de tempo negociado com o vento.
Você se lembra?
O horizonte prateado, tão longe, tão real.
Brincávamos de esconder com os fantasmas da madrugada.
Tudo era precioso, acreditávamos na noite.
Nossos olhos eram espelhos
conectados ás estrelas.




por meu paredro | 12:59 PM |
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