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Quinta-feira, Abril 24, 2008




As noites já são frias na montanha que é o mundo.
Sozinho na varanda, eu penso em vocês.
Não é fácil visualizar esta outra realidade.
Caleidoscópios de luzes nas janelas, vidas aos milhares,
os prédios da cidade.
Onde quem sabe estejam vocês também lembrando
daquilo que fomos e como sabíamos tanto e vivíamos como ninguém aqueles tempos de descobertas pardas e aventuras fugazes.
Sobrevivências geniais para contar nas noites de boteco.
Pensando sempre no que ia ser depois.
E o depois não devia ser assim, tão apenas.
Nós que pulávamos abismos, agora os cultivamos diligentes
e sentimos que no fundo a imobilidade continua, que estamos como que esperando coisas já acontecidas, ou que tudo o que pode acontecer é talvez outra coisa ou nada, como nos sonhos.
Mas nunca estivemos tão acordados.
No entardecer nublado, a maré baixa das amizades que se esfiapam,
que precisam de novidades e novas caixas de cerveja para resistir.



por meu paredro | 4:12 PM |
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Quinta-feira, Abril 17, 2008




Você vai sair esta noite ?

Saímos para dar uma volta, as respostas estão em seus olhos.
Você não está á vontade.

Esta voz em sua cabeça te diz para ficar em casa e encarar os demônios que te devoram por dentro.

Histórias não resolvidas que você não entende como podem sobreviver
por tanto tempo.
Não é típico da noite virar tudo do avesso
quando estamos apenas tentando ficar quietos ?

O mais justo seria reduzirem sua pena por bom comportamento,
eu sei.
Mas não deixe isto te derrubar, são apenas castelos desmoronando.

Em noites assim, é fácil esquecer
que cada um tem seu próprio estoque de estrelas
para nos confortar e guiar.

Vai parar de doer.



por meu paredro | 11:59 AM |
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Domingo, Abril 13, 2008




Agora saca só esse pessoal aí na frente. Estão preocupados
contando os quilômetros, pensando em onde irão dormir esta
noite, quanto dinheiro vão gastar com gasolina, se o tempo
estará bom, de que maneira chegarão onde pretendem.
- e quando terminarem de pensar já terão chegado onde pretendem -
e quando terminarem de pensar já terão chegado onde queriam, percebe ?
Mas parece que eles tem que se preocupar e trair suas horas,
cada minuto e cada segundo, entregando-se a tarefas aparentemente
urgentes, todas falsas; ou então a desejos caprichosos puramente
angustiados e angustiantes, suas mentes jamais descansam, não
encontram a paz, a não ser que se agarrem a uma preocupação
explícita e comprovada, e tendo encontrado uma, assumem
expressões faciais adequadas, graves e circunspectas,
e seguem em frente, e tudo isso não passa, você sabe,
de pura infelicidade, e durante todo esse tempo a vida
passa voando por eles e eles sabem disso, e isso também
os preocupa, num círculo vicioso que não tem fim.


(Dean Moriarty)



por meu paredro | 6:02 AM |
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Domingo, Abril 06, 2008




Naquele momento eu já não sabia dizer qual de nós dois era mais sensível à ausência do outro. Aquela dúvida na cabeça; essa dor existe nela também ? O receio de saber, e ao mesmo tempo eu precisava, tinha que ter certeza de que aquilo tudo fazia sentido. Era medo, simplesmente. Então eu fui e disse tudo, contei a ela em arrancos verbais quase desafinados. Ela saiu irritada como um beija-flor, pousou em um canto das coisas e ficou muito quieta, lambendo as penas por um tempo interminável. O silêncio sabe ser terrível, eu não sabia o que fazer. Mas de repente ela sorriu e olhou para mim. Deve ter se lembrado que o sol sai aproximadamente às seis e meia. Eu sorri também, aliviado. A vida parecia ter voltado ao normal. Só uns dias depois eu percebi que ela não tinha respondido.



por meu paredro | 8:51 AM |
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